Apresentação Pessoal
- Nasci numa pequena aldeia na Serra da Lousã, em Simantorta, no município de Góis, onde fiz o ensino primário (básico), ministrado pela professora Lurdes e onde morei até aos 10 anos de idade.
- Na época, nos anos 50 do século XX, como na maioria das aldeias da Serra da Lousã,na minha região, o acesso ainda era feito por estradas não asfaltadas e não havia eletricidade disponível. Foi nesta aldeia que cresci numa família humilde e onde aprendi os valores da solidariedade, da dignidade e do respeito pelos outros.
- Até os 10 anos de idade, o local mais afastado que visitei foi a sede do município, Góis, a 20 km. Foi com essa idade que entrei no primeiro ano do Liceu de D. João III, em Coimbra.
- Na época, a escolaridade obrigatória era apenas o ensino básico (antiga 4ª Classe). A decisão de entrar no Liceu D. João III foi pessoal e apoiada pela família. Foi um período emocionalmente difícil para mim e para a família. De repente, passei a viver num ambiente completamente diferente. Longe da família, numa cidade desconhecida e num novo ambiente de estudo.
- Os meus pais foram subitamente privados da minha presença, o que os motivou a tomarem a decisão de se mudarem para ficarem mais perto de mim.
- Dois anos depois, eu estava a ser transferido para o Liceu de Gil Vicente, em Lisboa, onde fiquei até terminar o meu Ensino Secundário.
- Foi um dos períodos mais estáveis da minha vida.
- A proximidade dos meus pais garantiu-me estabilidade e segurança.
- A minha vida era composta de rotinas: Liceu de manhã; à tarde, com amigos a jogar bilhar e xadrez no Benfica; à tarde e à noite, a estudar para preparação das aulas no dia seguinte; no fim de semana, a assistir aos jogos do Benfica.
- No final do Ensino Secundário, ocorreu em Portugal a revolução de 1974.
- Foi um período conturbado, mas muito rico em aprendizagem. Para mim, como para toda a sociedade portuguesa, tudo era novo.
- A liberdade de expressão provocou uma explosão de ideias e de repente todos nos sentimos envolvidos nesse turbilhão.
- Com a Revolução, surgiram os novos conceitos de organização da sociedade. O que seria a entrada natural para a Universidade transformou-se de repente num ano de serviço cívico e na incerteza sobre o nosso futuro imediato.
- Rapidamente nos começamos a organizar para que também pudéssemos ter uma voz ativa na definição de nosso futuro. Foi nesse contexto que foi organizada a primeira reunião de candidatos ao Curso de Medicina, eleita uma Comissão de Estudantes e constituídas várias outras comissões de trabalho.
- O meu espírito organizativo e de participação, motivou-me de imediato a envolver-me nessa atividade e algum tempo depois, a fazer parte da própria Comissão de Estudantes.
- Acordamos a realização do nosso Serviço Cívico com o Ministro da Saúde, para que fosse exercido em instituições de saúde e que já incluísse alguma formação teórica que pudesse ser considerada após o início do Curso de Medicina.
- O meu período de serviço cívico foi prestado no Hospital de Cascais.
- Foi o meu primeiro contacto com doentes e com toda a estrutura de saúde, seguido pelo Curso de Medicina, durante 6 anos, na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.
- Foi um período de intensa atividade participativa.
- Comecei por ser eleito membro do Conselho Diretivo e da sua Comissão Executiva e no último ano, fui eleito o primeiro Presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade Nova de Lisboa.
- Ao mesmo tempo, mantive sempre uma intensa atividade de intervenção política e social. Politicamente, nunca fui de extremismos. Sempre estive entre o centro-esquerda e o centro-direita, defendendo os valores da liberdade, igualdade, fraternidade e solidariedade.
- Após concluir o Curso de Medicina fui colocado, por escolha pessoal, no Hospital de Portalegre, onde trabalhei de 1 de Janeiro de 1982 até 30 de Novembro de 2015.
- Comecei pelo Estágio Geral, seguido pelo da Especialidade e depois como Especialista em Medicina Interna.
- Por vocação, estive sempre ligado à área cardiovascular. Fui responsável pela Unidade de Cuidados Intensivos até 1995 e nessa data, instalei a Consulta de Risco Cardiovascular, que mantive até 2015.
- Modernizei a Unidade de Cuidados Intensivos e o Serviço de Medicina Interna e coordenei as Unidades de Cardiologia e de Hipertensão Arterial.
- Dirigi o Serviço de Medicina Interna e o Departamento de Medicina e fui Presidente da Comissão de Farmácia e Terapêutica.
- Também realizei outras atividades em áreas tão diversas como a informática em saúde, qualidade, acreditação e implementação do sistema de triagem de Manchester.
- Em 2015, optei por um novo desafio e aceitei o convite para trabalhar como Consultor na AMAU (Acute Medical Assessment Unit) no OLOL (Our Lady of Lourdes Hospital), na Irlanda.
- Foi o cumprimento de um antigo desejo de conhecer a realidade de um sistema de saúde diferente do português.
- Direi que foi uma experiência altamente enriquecedora e gratificante. Trata-se de um sistema de saúde mais focado no paciente e menos economicista. É um sistema mais estruturado e tecnologicamente mais evoluído e mais motivador.
- Ao longo da minha vida, conheci muitas pessoas. Pessoas de diferentes áreas sociais, políticas e religiosas.
- Revejo muitas delas regularmente e com alegria. Algumas, lamento os longos períodos de tempo em que não nos encontramos. Outras, lamento profundamente tê-las perdido para sempre.
- Tenho os meus amigos e conhecidos. Estou convencido de que não tenho inimigos e ainda acredito, como Anne Frank, que apesar de tudo, no fundo do seu coração, as pessoas são boas.
- Lembro-me, quase todos os dias dos meus pais, que já perdi e dos meus amigos, que também já me deixaram.
- Não sei se os encontrarei novamente, mas recordo os bons momentos que passamos juntos e tudo o que proporcionamos de bom, uns aos outros.
- Acredito firmemente que o Universo não se limita às dimensões que os nossos sentidos nos permitem perceber e não tenho a certeza que após a morte, a consciência permaneça intacta, independentemente da organização da matéria.
- Das pessoas que conheci ao longo da vida, por algum motivo, haveria centenas para destacar.
- Não farei isso porque, por mais exaustivo que fosse, alguém ficaria esquecido e isso seria uma grande ingratidão da minha parte. Permito-me apenas dizer que há muitos que foram para mim um exemplo de vida, de conduta social e profissional e que me ajudaram a crescer como homem e como médico
Sometimes the questions are complicated and the answers are simple.




Carlos Baeta
Consultor em Medicina Interna (Consultant - OLOL Hospital; Ireland)
(OM – 24577; Irish Medical Council - 415934); Risco Cardiovascular, Obesidade e Nutrição (Cardiovascular risk, Obesity and Nutrition)
My personal statements:
- I believe in God
- I believe in freedom, equality and fraternity.
- I believe in tolerance, free thought, honesty and solidarity
- Nash is my mentor. Francisco is my guide
